terça-feira, 21 de setembro de 2010

Estou a dois passos do paraíso

Longe de casa
há mais de uma semana
milhas e milhas distante
do meu amor

Será que ela está me esperando
eu fico aqui sonhando
Voando alto
perto do céu

Eu saio de noite andando sozinho
Eu vou entrando em qualquer barra
Eu faço eu caminho
O rádio toca uma canção
Que me faz lembrar você, eu
Eu fico louco de emoção
E já não sei o que vou fazer

Estou a dois passos do paraíso
Não sei se vou voltar
Estou a dois passos do paraíso
Talvez eu fique
Talvez eu fique por lá
Estou a dois passos do paraíso
Não sei porque que eu fui dizer bye, bye
Bye, bye, Baby bye,bye






sexta-feira, 16 de julho de 2010

shi....

Feche os olhos, ninguém nos vê. O silêncio. Só eu e você. Nada mais. As folhas, a brisa úmida. A escuridão. Não há nada que esconder. Não é preciso dizer nada. É. Respire. Feche os olhos. Aqui na nossa pequena cabana, debaixo do lençol é seguro. Ninguém pode chegar até aqui. Eu e você. Podemos ser o que quisermos, livremente, aqui debaixo do lençol. Dragões, princesas, fadas, duendes, cavaleiros, você pode voar. O ar entra pelos pulmões e enche a alma. Ouça. Só eu e você. Nada mais.

Seu mundo ainda maior!!

Se ao menos os pés tivessem asas talvez fossem tão rápido como a minha cabeça mas o meu coração ainda navega.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pequeno exercício de sinceridade

Eu tenho uma grave tendência à melancolia. É como uma perna coxa da qual eu puxo e preciso ter cuidado para que ela não me puxe a mim. É um buraquinho negro lá no fundo do peito que eu preciso vigiar, por que se não ele começa a tragar tudo ao redor. É bom dizer certas coisas assim em público, mas sem real exposição. São como mensagens em garrafas ou como desejos escritos num papel e amarrados numa árvore. Pequenos exercícios de sinceridade.

penso logo...

Se eu pudesse por um dia inteiro parar de pensar. Se eu conseguisse levar a vida com essa grandeza estóica. É irônico que eu pense e pense tanto e que depois, tenha tão pouca habilidade para planificar. Eu sou muito criativa mas não pra lidar com a vida.

sábado, 19 de junho de 2010

Soluço

Por muito tempo eu estive muda. Mas hoje uma das vozes mais bonitas que eu já ouvi. Um dos escritores que me ensinaram a amar este meu idioma se foi.
Eu precisava dizer um soluço. Um ai. E só. Não há nada a dizer. Ele já disse melhor.
Um soluço, baixar os olhos e silêncio. Uma unica palavra, a minha favorita. Saudade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Coisas...

Você nota que já tá morrendo de saudades quando uma ótima maneira de passar o tempo é ver comerciais de havaianas no youtube....

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Só não vá se perder por aí...

Vontade de andar e andar e não parar até chegar bem longe em qualquer lugar e de lá para mais longe ainda. Inveja de um mundo onde era possível simplesmente ir.

Calor da porra!

Madrid é Madrid. Não dá para comparar com Rio ou São Paulo ainda que todo mundo compare. Tem umas coisas ótimas mas ultimamente eu só penso em sair daqui correndo. Para começar tá um calor da porra! Super seco, a gente tem que beber água feito maratonista se não vira um maracujá de gaveta, desidrata...uma merda... a pele resseca, estica e puxa....ai minhas mãozinhas estão envelhecendo horrores...
Além disso os castellanos são super grosseiros, mal educados, briguentos. Ainda mais agora, sedentos de vacaciones. E eu também estou sedenta.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

E viva os sábias!

Meus amigos queridos. Vocês são realmente a melhor coisa do mundo. Eu não poderia pedir mais da vida. Obrigada por todo o apoio, os puxões de orelha, as piadas para relaxar, os conselhos, as conversas, o colo e a disposição para ajudar. Amovocês.

Meu coração faz chicachica bum chi!

Incrível como de um dia pra outro a vida pode mudar tão absurdamente e quando a gente toma uma decisão muito drástica tudo gira, os pés se desequilibram, é como um terremoto.
Hoje parece que a Terra começa a parar de tremer e eu já começo a me preparar para seguir em frente. Mas o estômago se revira, eu não consigo comer direito e um permanente estado de preocupação me rodeia.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sem Pressão

Amigos sabiás, como vocês bem sabem eu sou uma pessoa que pode demorar um pooouco em fazer as coisas. Quanto tempo eu demorei para vir a Espanha 1 ano e meio, sei lá!
Enfim, o blog vai vindo aos poucos, sem pressa, as fotos tem sido uma novela, porque o computador de casa não abre o blog e eu sempre esqueço de passar as fotos do computador para o disco duro e levá-las pro trabalho que é onde eu posso fazer o upload. Além disso o Alfredo trabalha em casa e rosna quando eu sento no computador.
Meus caros, vocês esperam um ano pelo Carnaval, então podem esperar um pouquinho mais pelo raio das fotos...diacho...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Quero viajar

e ponto final.

Eu passarinho.

Eu passarinho.
Passarinho por cima dos edifícios, dos parques, nas altas torres dos hotéis de luxo, de onde as estrelas vêm de baixo. Passarinho por vielas estreitas, pelas ruas ruidosas, pelos carros, pela gente.
Passarinho pelos bares e pela fumaça. Vôo de um lugar pro outro.
Mas eles me falam numa língua estranha de assuntos que pouco conheço. Eu me refugio no humor. Na frívola amabilidade que desenvolvi faz agora alguns anos e me permitiu circular ‘quase’ incólume pelos mais variados meios. Eu sou o escafandrista. Pela escotilha redonda do meu capacete eu vejo um oceano e busco referencias. Eu sou Hans Staden, sou Jaques Cousteau querendo ser Pierre Vergér. E tudo o que eu sabia, ou pensava que sabia, não é mais ciência exata e tudo, absolutamente tudo, será relativizado, nada é certo.
E sigo passarinhando, fico feliz com o sol e com suflê de brócolis com couve-flor. À noite me aninho e sonho com palmeiras.

Reclamar, o esporte nacional.

Cada povo tem suas idiossincrasias, e o espanhol não é diferente. Aqui a principal atividade, depois de comer e tirar a siesta, que é sagrada, MESMO, é reclamar. Os espanhóis reclamam. Do tempo, do governo, da vida, das outras pessoas, do frio, do calor. Reclamam na rua, aos berros uns com os outros, reclamam dos italianos, dos franceses, dos ingleses, dos portugueses, reclamam dos ciclistas, reclamam dos carros, reclamam do preço da cerveja, reclamam dos parentes, reclamam do trabalho, reclamam da falta de trabalho. Aqui o lema é: Nada é suficientemente bom, que não se possa reclamar.

30.000 brasileiros em Madrid.

Estando fora acabei descobrindo alguns aspectos interessantes dos brasileiros, os quais dentro do Brasil seria impossível dar-me conta.
1) Brasileiros andam em bandos, você nunca vai ver um brasileiro sozinho na rua, ou um que não conheça pelo menos outro brasileiro que more em Madrid. Somos como crustáceos ou colônias de formigas, nos aglomeramos.
2) Brasileiros encontram outros brasileiros pelo cheiro. Provavelmente de sabonete, ou de cabelos recém lavados, diferentemente de nossos companheiros autóctonos. Um brasileiro turista sempre vem pedir informação a outro brasileiro! Chegam falando portunhol perguntando onde é o Corte Inglês.
3) Brasileiros são solícitos. Mesmo que às vezes seja meio de má vontade, ser solidário é moeda corrente no Brasil, aqui não.
4) Brasileiros fazem fotossíntese. Isso ainda vai ser provado cientificamente um dia.
5) Feijão, doce de leite e requeijão valem mais que dinheiro.
6) Brasileiros falam mal espanhol, mal mesmo, horrível.
7) Todos os brasileiros, sem exceção, tem planos de voltar ou gostariam de voltar se fosse possível.

Yo pedaleo y no me cabreo!!!

Num fabuloso golpe de sorte do destino, daqueles somente comparáveis ao reencontro no dia 1º de janeiro com o outro pé de havaianas que você havia perdido na praia na noite de Reveillón, eu consegui um trabalho. Estou trabalhando numa consultora de arte/galeria e meu trabalho consiste em montar exposições, tirar fotos dos quadros, montar apresentações para vendê-los a possíveis clientes, estabelecer um plano de publicidade para a galeria, ou seja, um pouco de tudo, como sempre…nem parece que eu saí do Brasil. Com a grana do meu primeiro salário eu comprei uma bicicleta. Ela é pequena, dobrável, toda de alumínio e eu vou na magrela todos os dias para o escritório. Acho o máximo, mas os motoristas de Madrid não concordam muito com isso. Eles me ultrapassam em ruas estreitas, buzinam e um taxista sem coração quase me jogou no canteiro.
Menos mal que eu não sou a única a sofrer com esses percalços diários sobre duas rodas e esse último fim de semana prolongado teve BICICRÍTICA. Uma biciata, passeata em bicicletas, pelas ruas da cidade. Foi super divertido, gente colorida, fantasiada, crianças, palhaços e o mais completo caos viário em Madrid.
O que eu acho mais interessante nos ativistas do primeiro mundo é que eles tem um senso de humor quase infantil. Foram programadas duas biciatas uma na quinta feira às 8 horas da noite, quando a cidade inteira voltava do trabalho, ou tentava sair de viagem. A segunda foi programada para começar às 6 da tarde de sábado, duas horas antes da final da Liga Espanhola, com o clássico dos clássicos, Real Madrid x Barcelona e toda a cidade estava na rua ou indo para o estádio.

Ando meio desligado

Desculpem pelo longo silêncio, mas tudo acontece muito rápido, as mudanças são muitas e eu me perco, me busco e acabo sempre encontrando outra coisa que não o que estava procurando, como acontece a todos nós, acredito. Enfim, só para dizer que o fato de que não escreva com freqüência não quer dizer que não morra de saudades e de medo que vocês se esqueçam de mim. Esse medo me apavora, mas eu procuro conviver com ele e me ponho aqui outra vez a destrinchar pedaços da minha confusão mental para pública apreciação. Que aprovechen!

O maravilhoso mundo dos Hortifrutigranjeiros

Ahh.. Ir a feira! Que experiência encantadora a de ir a feira! Passear em meio a hortaliças e frutas da estação... Esta tarefa torna-se especialmente divertida quando você está em outro país. Se eu já tinha certa dificuldade com os nomes de legumes e verduras em português, em español comprar abobrinha torna-se, portanto, uma tarefa hercúlea. Tornei-me a alegria dos feirantes. Essa! Eu quero essas folhas aqui! Como é o nome disso? Não, do verde não, do vermelho, rojo! rojo! Olho em volta… penso…. Merda, como eu pergunto se ele tem beterraba. Mira, es asi redonda, medio dulce…roja, não, rojo é vermelho como é que diz roxo…. Líla es líla, isso! essa que depois quando você vai no banheiro sai tudo vermelho! Remolacha! Isso, remolacha! E aí, tem? Não? Ah tá.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Chineses, castanholas e chocolate

Inevitável não se sentir como uma criança. Ando pelas ruas compro pão, chocolates, castanholas - hoje comprei castanholas e comecei a praticar - jamaicanos no Retiro, com sotaque indecifrável, me perguntam : Está procurando por alguém? - não estou só passeando... eles riem. Paquistaneses fazem sinal de cigarros - não tenho... eles riem.
Mas nenhum deles ri mais do que eu, dos velhinhos nas bicicletas ergométricas/banco de praça, das meninas tããão maquiadas, chineses, as tartarugas em Atocha, da vida, da gente, da pressa, do calor que aumenta e os enormes casacos que trouxe e já não são mais necessários. Mas na sexta feira só se trabalha até a hora do almoço, que é às 3 da tarde.
Olho tudo, toco, mexo, pergunto - picoletos? - sorrisos amistosos e miradas raras mas a minha sede de perguntar e andar pela rua não tem fim.
O Prado, grão de bico, mas tudo nesse país leva tomate? Espaguetti com pão? Meu reino por um Perfex. E por um chuveiro preso em cima. Hippies, ocupas, punks, pijos, gente rica, muito rica, mendigos na rua, com todo o frio que faz a noite. Cerveja, cidra e cigarros por todos os lados, mas tudo com muito jamón.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Caqui

Quer caqui? Me disse enquanto me estendia a tijela. Assenti displicentemente e peguei o menor. De repente me lembro. Não sei quando vou voltar a comer um caqui? E aquela ação tão corriqueira tomou a proporção de um ritual religioso. Cortei-o ao meio e afundei os dentes na carne sujando metade do rosto, as bochecas, o queixo e o nariz. Era preciso comê-lo como se deve e saboreá-lo em homenagem aos deuses das frutas tropicais.

Apague a luz a respire fundo

Quero agradecer a todo vocês pela fantástica semana de despedida que tive. Foram maravilhosas todas as demosntrações de carinho que recebi. Eu me senti muito querida e muito amada. Vocês me fizeram sentir muito forte e pronta para encarar qualquer parada. Um beijo grande a todos e nos vemos nesse mundo pequeno.