Eu passarinho.
Passarinho por cima dos edifícios, dos parques, nas altas torres dos hotéis de luxo, de onde as estrelas vêm de baixo. Passarinho por vielas estreitas, pelas ruas ruidosas, pelos carros, pela gente.
Passarinho pelos bares e pela fumaça. Vôo de um lugar pro outro.
Mas eles me falam numa língua estranha de assuntos que pouco conheço. Eu me refugio no humor. Na frívola amabilidade que desenvolvi faz agora alguns anos e me permitiu circular ‘quase’ incólume pelos mais variados meios. Eu sou o escafandrista. Pela escotilha redonda do meu capacete eu vejo um oceano e busco referencias. Eu sou Hans Staden, sou Jaques Cousteau querendo ser Pierre Vergér. E tudo o que eu sabia, ou pensava que sabia, não é mais ciência exata e tudo, absolutamente tudo, será relativizado, nada é certo.
E sigo passarinhando, fico feliz com o sol e com suflê de brócolis com couve-flor. À noite me aninho e sonho com palmeiras.
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