sexta-feira, 22 de maio de 2009

Quero viajar

e ponto final.

Eu passarinho.

Eu passarinho.
Passarinho por cima dos edifícios, dos parques, nas altas torres dos hotéis de luxo, de onde as estrelas vêm de baixo. Passarinho por vielas estreitas, pelas ruas ruidosas, pelos carros, pela gente.
Passarinho pelos bares e pela fumaça. Vôo de um lugar pro outro.
Mas eles me falam numa língua estranha de assuntos que pouco conheço. Eu me refugio no humor. Na frívola amabilidade que desenvolvi faz agora alguns anos e me permitiu circular ‘quase’ incólume pelos mais variados meios. Eu sou o escafandrista. Pela escotilha redonda do meu capacete eu vejo um oceano e busco referencias. Eu sou Hans Staden, sou Jaques Cousteau querendo ser Pierre Vergér. E tudo o que eu sabia, ou pensava que sabia, não é mais ciência exata e tudo, absolutamente tudo, será relativizado, nada é certo.
E sigo passarinhando, fico feliz com o sol e com suflê de brócolis com couve-flor. À noite me aninho e sonho com palmeiras.

Reclamar, o esporte nacional.

Cada povo tem suas idiossincrasias, e o espanhol não é diferente. Aqui a principal atividade, depois de comer e tirar a siesta, que é sagrada, MESMO, é reclamar. Os espanhóis reclamam. Do tempo, do governo, da vida, das outras pessoas, do frio, do calor. Reclamam na rua, aos berros uns com os outros, reclamam dos italianos, dos franceses, dos ingleses, dos portugueses, reclamam dos ciclistas, reclamam dos carros, reclamam do preço da cerveja, reclamam dos parentes, reclamam do trabalho, reclamam da falta de trabalho. Aqui o lema é: Nada é suficientemente bom, que não se possa reclamar.

30.000 brasileiros em Madrid.

Estando fora acabei descobrindo alguns aspectos interessantes dos brasileiros, os quais dentro do Brasil seria impossível dar-me conta.
1) Brasileiros andam em bandos, você nunca vai ver um brasileiro sozinho na rua, ou um que não conheça pelo menos outro brasileiro que more em Madrid. Somos como crustáceos ou colônias de formigas, nos aglomeramos.
2) Brasileiros encontram outros brasileiros pelo cheiro. Provavelmente de sabonete, ou de cabelos recém lavados, diferentemente de nossos companheiros autóctonos. Um brasileiro turista sempre vem pedir informação a outro brasileiro! Chegam falando portunhol perguntando onde é o Corte Inglês.
3) Brasileiros são solícitos. Mesmo que às vezes seja meio de má vontade, ser solidário é moeda corrente no Brasil, aqui não.
4) Brasileiros fazem fotossíntese. Isso ainda vai ser provado cientificamente um dia.
5) Feijão, doce de leite e requeijão valem mais que dinheiro.
6) Brasileiros falam mal espanhol, mal mesmo, horrível.
7) Todos os brasileiros, sem exceção, tem planos de voltar ou gostariam de voltar se fosse possível.

Yo pedaleo y no me cabreo!!!

Num fabuloso golpe de sorte do destino, daqueles somente comparáveis ao reencontro no dia 1º de janeiro com o outro pé de havaianas que você havia perdido na praia na noite de Reveillón, eu consegui um trabalho. Estou trabalhando numa consultora de arte/galeria e meu trabalho consiste em montar exposições, tirar fotos dos quadros, montar apresentações para vendê-los a possíveis clientes, estabelecer um plano de publicidade para a galeria, ou seja, um pouco de tudo, como sempre…nem parece que eu saí do Brasil. Com a grana do meu primeiro salário eu comprei uma bicicleta. Ela é pequena, dobrável, toda de alumínio e eu vou na magrela todos os dias para o escritório. Acho o máximo, mas os motoristas de Madrid não concordam muito com isso. Eles me ultrapassam em ruas estreitas, buzinam e um taxista sem coração quase me jogou no canteiro.
Menos mal que eu não sou a única a sofrer com esses percalços diários sobre duas rodas e esse último fim de semana prolongado teve BICICRÍTICA. Uma biciata, passeata em bicicletas, pelas ruas da cidade. Foi super divertido, gente colorida, fantasiada, crianças, palhaços e o mais completo caos viário em Madrid.
O que eu acho mais interessante nos ativistas do primeiro mundo é que eles tem um senso de humor quase infantil. Foram programadas duas biciatas uma na quinta feira às 8 horas da noite, quando a cidade inteira voltava do trabalho, ou tentava sair de viagem. A segunda foi programada para começar às 6 da tarde de sábado, duas horas antes da final da Liga Espanhola, com o clássico dos clássicos, Real Madrid x Barcelona e toda a cidade estava na rua ou indo para o estádio.

Ando meio desligado

Desculpem pelo longo silêncio, mas tudo acontece muito rápido, as mudanças são muitas e eu me perco, me busco e acabo sempre encontrando outra coisa que não o que estava procurando, como acontece a todos nós, acredito. Enfim, só para dizer que o fato de que não escreva com freqüência não quer dizer que não morra de saudades e de medo que vocês se esqueçam de mim. Esse medo me apavora, mas eu procuro conviver com ele e me ponho aqui outra vez a destrinchar pedaços da minha confusão mental para pública apreciação. Que aprovechen!

O maravilhoso mundo dos Hortifrutigranjeiros

Ahh.. Ir a feira! Que experiência encantadora a de ir a feira! Passear em meio a hortaliças e frutas da estação... Esta tarefa torna-se especialmente divertida quando você está em outro país. Se eu já tinha certa dificuldade com os nomes de legumes e verduras em português, em español comprar abobrinha torna-se, portanto, uma tarefa hercúlea. Tornei-me a alegria dos feirantes. Essa! Eu quero essas folhas aqui! Como é o nome disso? Não, do verde não, do vermelho, rojo! rojo! Olho em volta… penso…. Merda, como eu pergunto se ele tem beterraba. Mira, es asi redonda, medio dulce…roja, não, rojo é vermelho como é que diz roxo…. Líla es líla, isso! essa que depois quando você vai no banheiro sai tudo vermelho! Remolacha! Isso, remolacha! E aí, tem? Não? Ah tá.